Um dilema. Várias dúvidas. Por que somos assim? Por que o entendimento pleno se torna hercúleo entre as pessoas? Culturas diferentes? Vivências únicas? Seja lá o que for, é uma tarefa de chinês paciente entender as pessoas. Um exemplo para ilustrar: Há alguns meses, houve uma reunião de condomínio para definir a nova cor do prédio, já que a última era digna de uma visão pós-apocalíptica hollywoodiana. Bom, condôminos à mesa, iniciou-se o debate (entenda-se: embate!). Sugestão vai, sugestão vem... e eu pensando em tudo quanto é coisa exceto numa cor. E lá iam pensamentos dos mais diversos: desde como o Google criou o Android até qual deve ser o tamanho do coração de uma baleia jubarte, passando pelos túneis subterrâneos de Paris e por que são sete notas musicais e não 8, 10 ou mesmo 5? Eis que os presentes chegam onde eu queria: a futura cor! Aí sim, vamos resolver logo porque quero uma cerveja - pensei. Até então, cor - no meu entender - é um fenônimo físico. Ou seja, uma determinada frequência de onda eletromagnética a qual é percebida por células nos nossos olhos, transformadas em impulsos e interpretadas pelo nosso cérebro. E, dentro do espectro visível podemos simplificá-las com nomes tais como azul, vermelho, amarelo e etc. O problema é que parte do público ali pensa ligeiramente diferente. Então apareceram sugestões - digamos - estranhas. Bege, ok eu entendo. Mas daí marfim, areia, gelo, pergaminho, camelo, gengibre, e sabe-se lá mais o que! E lá vai o bate-boca provocado pelos moradores desta nobre construção. Imaginem um grupo de mais ou menos doze à quinze pessoas falando ao mesmo tempo num tom acalorado sobre essas bizarras cores que a tia do primário nunca havia mencionado sequer que existiam. Indaguei educamente:
- Mas que p§%&# de cores são essas?
- São todas tons de bege.
- É tudo a mesma m&#$%?
- É, mas tem diferença.
- Tá... ok, o que vocês decidirem tá decidido.
Desisti de entender tamanha parvoíce. Quem foi o à toa que inventou essa quantidade absurda de nomes para cores praticamente idênticas? E mais: como esse povo sabe todos esses nomes e as mais sutis diferenças entre esses tons? Das duas uma: ou tenho um grave problema cromatológico, ou esse povo faz parte de alguma seita secreta das cores infinitas. O que mais me dói é saber que perdi duas preciosas horas discutindo algo extremamente nonsense como o sexo dos anjos. Afinal, que diferença ia fazer? Se o prédio fosse azul, vermelho ou até mesmo preto com listras amarelas eu continuo morando nele. Me preocupa mais as cores internas do apartamento do que qualquer outra.
Isso é só pra mostrar como uma simples questão pode se tornar um suplício pra um TDAH. Pra mim, bastava uma enquete, de papel mesmo, passada por debaixo das portas e posteriormente entregue ao síndico. O problema é que não consigo adaptar o mundo a mim. Ainda bem.

