Apesar do insólito nome, O Pum do Dragão foi a forma mais criativa que achei para representar o TDAH. Foi um processo de criação exaustivo, pois perguntei ao meu filho que nome ele daria ao blog. Do "alto" dos seus 4 aninhos ele proferiu tamanha poesia com autoridade. Afinal, se o bafo de um dragão já faz estrago, imagine um pum... ou se preferir, é uma ótima metáfora para o TDAH. Ora engraçado, ora devastador.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Estar ou não estar
Quem aqui gosta de ficar sozinho, levante a mão. Antes, deixe eu explicar: no meu último e primeiro encontro com membros com TDAH (eles falam em portadores, mas no meu humildade entender, tem alguma coisa estranha nesse termo) várias pessoas contaram um pouco de suas experiências e expectativas. Um certo membro do grupo, um rapaz muito inteligente, nos disse que adora estar e trabalhar em grupo. Aquilo, dentro do meu universo cultural e de experiências vividas, me pareceu tão bizarro quanto o céu ser verde. Por que? Porque simplesmente adoro estar sozinho. Calma. Vou explicar. Não repudio a convivência em grupo, mas a minha produção enquanto estou sozinho se sai muito melhor do que quando estou reunido. Tudo começou quando eu era criança. Sempre nutri um gosto um tanto quanto "desviado" da maioria, ou seja, enquanto os meus amigos queriam jogar futebol, o meu interesse era um jogo de xadrez, política, economia, jazz, enfim; longe da dita normalidade. Sou mais inteligente? Não, apenas desenvolvi um interesse em algumas áreas não tão populares. E isso se perdura até hoje. Sempre ouvi dizer: "Nossa, como você inteligente." ou "Como você entende dessas coisas?". Gente, se eu fosse assim tão inteligente, seria o Eike Batista. É sério. Apenas foquei o meu interesse em coisas que me dão prazer.
Bom, voltando ao assunto acima, quando esse nosso colega disse aquilo, senti-me extremamente transtornado. Pensei: "Fodeu! A minha situação é pior do que imaginava!". Eis que um nobre colega, autor do blog TDAH - Reconstruindo a Vida, proferiu que adora ficar sozinho. Que alívio, dois adoradores de momentos egoístas coexistiam num mesmo ambiente ao mesmo tempo. Portanto manifestei-me prontamente para que este nobre 'solitarista' (roubei isso dele, nem sei se aprova...) soubesse que existe outro com a mesma aspiração.
Adoro encontrar os meus amigos para uma cerveja, discutir porlítica, economia. legislações diversas, tecnologia e até mesmo as mais refinadas técnicas de como preparar uma picanha perfeita com embasamento em preceitos da física e química. Da mesma forma que goiabada é só mais um doce entre vários, futebol pra mim é só mais um esporte. Não odeio, só não me aflora esse tesão todo. Dormir numa final de copa do mundo? Mole. Basta estar com sono. Agora, eu juro que estou tentando gostar; sério. Meu filho adora bater uma bolinha. Na escola, em casa, aonde quer que seja. Da última vez que joguei uma pelada, marquei dois gols. Contra. Agora lá vou eu de novo. Vamos ver no que vai dar.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Parabéns, Gustavo.
ResponderExcluirGrande iniciativa, você deve ter sentido como é bom escrever sobre nós mesmos, nossos comportamentos, nossos sentimentos. Aprendemos com isso.
Conte comigo, precisamos uns dos outros, mesmo não gostando demais de gente.rsrsrs
Lendo seu post lembrei de que, sempre fui do contra, sempre detestei andar em manadas; apesar de gostar de futebol. Não tenho seu refinamento, gosto pouco de Jazz, prefiro MPB, e gosto tanto de Kubrick quanto de Allen, mas amo Gabriel Garcia Marquez e seu 'Cem anos de solidão'é o melhor livro que li na vida. Assim, com altos e baixos sigo na contramão da maioria.
Bem vindo, seu blog é muito bom.
Um abraço e até a próxima sessão de coaching coletivo.